sábado, 27 de agosto de 2011

Fear


Eu me remexo uma, duas, três ou ainda mais vezes. Meus olhos se fecham, mas infelizmente não se mantêm assim. A falta de claridade parece me sufocar. Eu olho ao redor e enxergo as coisas distorcidas: meu moletom jogado no puff vira um gato, minhas coisas espalhadas na escrivaninha parecem formar um rosto, sombras dos mais diversos tamanhos parecem perambular meu quarto. Eu me escondo embaixo dos cobertores, tento pensar em aleatoriedades, tento rezar, tento me movimentar... De nada adianta. Tenho vontade de levantar, tomar um copo d’água, mas lembro do armário de vidro da cozinha e os reflexos que ele pode produzir. Não tenho coragem de mexer um músculo que seja e peço mentalmente que o tão esperado sono chegue, mas ele parece demorar séculos. Quando dou por mim, meu despertador está tocando... Já é outro dia. Dormi, como quase sempre durmo, no meio do emaranhado da minha imaginação fértil que tenta produzir inexistentes no escuro. É, sim, eu tenho medo do escuro. 

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