terça-feira, 11 de outubro de 2011

Internêtes

            Você que possui um computador com acesso a internet em casa deve saber muito bem do que eu estou falando. Você participa de no mínimo duas redes sociais e sabe através delas algumas das fofocas mais badaladas da sua escola ou do seu circulo social. Elas podem ser extremamente importantes para aqueles que a utilizam para alimentar sua gigante saudade de pessoas que só existe acesso por ali, por aquele caminho. Porém, me pergunto, será que todos são realmente verdadeiros em suas exibições, postagens ou tweets?
            Não estou falando em pedófilos, nem em psicopatas, nem em nada desse sentido. Falo do seu vizinho da frente, da sua amiga de anos, do namorado da sua prima, não sei, do mundo que o cerca. Será que eles são realmente tudo aquilo que aparentam ser quando você os encontra nas redes sociais? Será que realmente tem as agendas lotadas de compromisso e nenhum final de semana que escape de baladas? Ou ainda, será que é realmente tão sozinho e ou tão digno de pena?
            As pessoas usam e abusam de seus perfis para enxotá-los de exageros sobre a sua própria rotina criando um mundo de ilusão a si mesmo. Parecem forçarem tanto a barra – que estão saindo, que o fulando me disse isso e aquilo, que o beutrano é um querido, que a minha mãe não-sei-o-que-lá – que se perdem entre a verdadeira realidade e a realidade virtual. Em seu mundo virtual, começam a se sentir perdidos porque notam que não tem ninguém quando desligam o computador. E no mundo real, se perdem ao notar que não sobra ninguém além do computador. Será que está certo?
            As pessoas já esqueceram políticas de boa vizinhança e certamente a maioria não sabe o nome do vizinho da frente. Se esquecem do colega que senta do seu lado o ano inteiro, mas falam dele no Twitter como se estivessem conversando animadamente. Se ocupam do irreal, e esquecem a realidade que os cercam. A única coisa que me pergunto agora é: até quando?