Tente ligar a televisão à noite. Tente ver as notícias que ali passam sem nem ao menos ficar apavorado: assaltos, mortes, torturas, fome, e tudo aquilo mais que você já sabe. Espere ele acabar e assista a novela. E então analise bem onde as coisas foram parar.
Cadê o amor? Onde foi parar o sentimento que é a cada dia mais difícil de se encontrar? Cadê a compaixão e a bondade? Eles praticamente não existem mais, ou pelo menos é muito raro encontrá-los. Digo, encontrar aqueles que se amam de verdade, que não se ajudam por interesse, que buscam a paz porque a querem e não para dar-lhe status. Hoje “te amo” é dito como bom dia, pra qualquer um que foi simpático contigo uma vez na vida.
Depois acham estranhas as pessoas que lêem. Se assustam com as pilhas de livros que se acumulam ao seu lado enquanto elas os “devoram”, um por um. Sabe porque lemos tanto? Para fugir de tudo isso. Para, pelo menos na nossa imaginação, conseguir ter o mundo quase-perfeito, em que o maior problema que pode existir é que ele ainda não sabe que ela gosta dele. Um mundo em que, no fim das contas, tudo fica maravilhoso, tudo acaba em festa. Um lugar limpo (ou é como imaginamos) sem os zilhões de papéis dos mais diferentes tipos pelas ruas, fora os lixos, os cachorrinhos abandonados, as crianças que esmolam por um pedaço de pão e as pessoas que estão precisando tanto de dinheiro que submetem sua imagem a uma das piores que pode existir: a de ladrão.
Depois não entendem como conseguimos agüentar ler um livro inteiro. Não estamos só lendo por ler, estamos vivendo aqueles momentos junto com os mocinhos. Choramos, rimos, sofremos e vencemos junto com eles. Ou melhor, como eles. Onde foi parar então o nosso final feliz?

