terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dona Morte

Encontrei com ela uma vez. A princípio parecia um borrão negro, assutou-me. Mas ao aproximar-se foi tomando forma. O “borrão” que no começo assutava-me, agora conseguia me encantar. Era linda! Não entendo como as pessoas sempre tiveram dela uma visão oposta. Não trocamos uma palavra sequer, não me convidou para nenhum passeio sem volta, como sempre imaginei que convidaria. Apesar de falta de comunicação, consegui ver em seus olhos uma cor de saudade, nostálgica. E, de repente, já via toda a minha vida passar por meus olhos. Era como se tivesse mergulhado na cor de sua íris, e neste oceano acastanhado encontrasse todos os capítulos de minha história: o primeiro dente-de-leite que caiu, as pedaladas de bicicleta independentes de rodinhas auxiliares, os tombos que se sucederam, as séries iniciais que cursei na escola, as derrotas sofridas, as vitórias conquistadas.. tudo.  E o que aconteceu depois, eu já havia imaginado: me convidou para aquele passeio sem volta. Prometeu-me em troca, me deixar viver em um lugar maravilhoso, onde as maldades humanas que via ao meu redor lá não existiam, onde os pássaros vivam livres e o sol reinava juntamente com a brisa leve da primavera. O convite era tentador, tanto quanto era para mim inaceitável. A Morte era simpática, e quase me persuadiu com o seu encanto, mas não era a tranqüilidade que me oferecera que queria ter naquele momento. Era, por incrível que pareça, os altos e baixos da vida o que eu mais almejava. Pois só neles é que aprenderia a verdadeira forma de aproveitar essa tranqüilidade. A Morte é algo fácil, transparente, já a vida essa sim é a verdadeira dificuldade. Estar vivo é uma grande conquista, a maior de todas elas. Sinta-se um vencedor!




post-scriptum: Ao contrário do que dou a entender, nunca "quase-morri", tive a idéia deste texto após ver um documentário do Discovery Channel. Ah, outra coisa, gamei na cara de contente do menino do primeiro lugar, escolhi esta fotografia só por causa dele, nem iria colocar nada.

sábado, 11 de dezembro de 2010

Sociedade

Talvez na sociedade
Falte vida, falte amor,
Falta paz, falte amizade
Mas nela não há de faltar a diversidade.

Claros, morenos,
Rebeldes, serenos,
Bonitos, estranhos,
Deste planeta de sonhos.

Todos com sua história,
Com sua jornada para seguir.
Todos contando com vitórias
Que um dia irão conseguir.

Gente como a gente
Que nasceu em família diferente.

Porque existe o preconceito então?
Porque existe a desigualdade?
Se todos vão parar embaixo do mesmo chão
Quando a morte anunciar a nossa liberdade.
      Hoje terminei de ler o último livro da coleção "O Diário da Princesa", da maravilhosa autora Meg Cabot. E, nas últimas páginas do livro, teve um parágrafo que me chamou muito a atenção, por me lembrar minha última postagem. Portanto, estou postando-lhe aqui.


     "E isso é, quando você vai envelhecendo, perde coisas, coisas que não necessariamente se quer perder. Algumas coisas são simples como... Bem, seus dentes pequenos quando você era uma criança, e como eles fazem o caminho para os dentes adultos. 
     Mas com a idade, você perde outras, mais importantes, como amigos - espero que só amigos ruins - que talvez não eram tão bons pra você. Com sorte, você será capaz de manter seus verdadeiros amigos, aqueles que sempre estavam lá por você... Mesmo quando você pensava que não estavam. Porque amigos são mais preciosos que todas as tiaras do mundo. E também aprendi que há coisas que você quer perder, como o chapéu da formatura que você joga no ar. Quero dizer, porque você iria segurá-lo? Escola é um saco. Pessoas dizem que foram os melhores quatro anos de suas vidas - essas pessoas mentem. Quem quer viver os melhores anos de sua vida na escola? Escola é algo que todo mundo quer perder. 
    E depois há coisas que você pensou que queria perder, mas não... e agora está feliz por não tê-lo feito."


                                        O Diário da Princesa - Princesa para Sempre

terça-feira, 23 de novembro de 2010

A verdade mesmo é que eu estou cansada. Cansada e confusa. Me perdi em um emaranhado de idéias e compromissos, e neles já não consigo encontrar-me. Estou entre os problemas de que a maioria dos jovens de 15 anos tem, e os que por ventura o destino anda me oferecendo. Minha verdadeira vontade era não pensar em tudo isso, ter tempo para dormir até tarde, fugir de tudo, fingir que ainda tenho cinco anos.
O problema é que aquelas roupas já não se ajustam mais em meu corpo, meus brinquedos não são mais utilizados, não tenho mais tanta disposição para brincar de pega-pega (tenho sono, tenho preguiça), os doces ainda são uma verdadeira paixão, mas não tão intensa como era há uns dez anos atrás. Ventos carregados de saudade que sopram sobre mim. Saudade da minha despreocupação com o meu futuro. Saudade de minha mãe me colocar de baixo de asa, e isso servir para dar meus problemas por resolvidos. Saudade de o rancor ser um sentimento desconhecido. Saudade de amores serem platônicos. Saudade de o mundo parecer grande demais para mim. E muita saudade de fazer amigos facilmente, e com eles formar elos que parecem nunca se desmanchar.
Porém, isto tudo já aconteceu. E dificilmente um raio cai duas vezes em um mesmo lugar. Nunca mais terei o que tive. Hoje estou caminhando para o desconhecido, para a idade da liberdade, para os amores mais intensos, para os sorrisos mais largos e também para as lágrimas mais grossas, para o encontro com o que um dia eu serei. E este extenso caminho é chamado de um nome bem comum: futuro. 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

o mundo de hoje


Tente ligar a televisão à noite. Tente ver as notícias que ali passam sem nem ao menos ficar apavorado: assaltos, mortes, torturas, fome, e tudo aquilo mais que você já sabe. Espere ele acabar e assista a novela. E então analise bem onde as coisas foram parar.
Cadê o amor? Onde foi parar o sentimento que é a cada dia mais difícil de se encontrar? Cadê a compaixão e a bondade? Eles praticamente não existem mais, ou pelo menos é muito raro encontrá-los. Digo, encontrar aqueles que se amam de verdade, que não se ajudam por interesse, que buscam a paz porque a querem e não para dar-lhe status. Hoje “te amo” é dito como bom dia, pra qualquer um que foi simpático contigo uma vez na vida.
Depois acham estranhas as pessoas que lêem. Se assustam com as pilhas de livros que se acumulam ao seu lado enquanto elas os “devoram”, um por um. Sabe porque lemos tanto? Para fugir de tudo isso. Para, pelo menos na nossa imaginação, conseguir ter o mundo quase-perfeito, em que o maior problema que pode existir é que ele ainda não sabe que ela gosta dele. Um mundo em que, no fim das contas, tudo fica maravilhoso, tudo acaba em festa. Um lugar limpo (ou é como imaginamos) sem os zilhões de papéis dos mais diferentes tipos pelas ruas, fora os lixos, os cachorrinhos abandonados, as crianças que esmolam por um pedaço de pão e as pessoas que estão precisando tanto de dinheiro que submetem sua imagem a uma das piores que pode existir: a de ladrão.  
Depois não entendem como conseguimos agüentar ler um livro inteiro. Não estamos só lendo por ler, estamos vivendo aqueles momentos junto com os mocinhos. Choramos, rimos, sofremos e vencemos junto com eles. Ou melhor, como eles. Onde foi parar então o nosso final feliz?

different relationship

Eu deveria saber que as coisas acabariam assim.Afinal, você entrou na minha vida quando eu mais precisava de alguém. Esteve do meu lado sempre, me apoiou e me ajudou a recuperar as forças até então perdidas.
Não que não estivéssemos juntos nos momentos felizes também. Encontrava-te nas festas e na lancheria da escola e deliciava-me contigo junto com o meu grupo de amigos. Passamos então a criar laços.
Era incrível a sua capacidade de me fazer feliz. Acho que era por isso que a cada dia que passava me tornava mais dependente de ti. Não conseguia sobreviver mais um dia sem te ter comigo. Começou então, a parecer algo como um casamento.
Mas as coisas mudaram radicalmente. E não adianta você dizer-me que não. Afinal, a balança e as centenas de produtos anti-acne no armário do banheiro não te deixam mentir.
Por isso que te suplico, quero meu divórcio, chocolate. Saia de minha rotina alimentar. Vá liberar endorfinas de outra pessoa!

                                                  

           Tudo bem, a quem estamos querendo enganar? Talvez você até consiga se ver livre de mim, mas nunca vou querer largar você. Meu vício perpétuo, chocolate.

first

Acho que tudo realmente começou em 2007. Eu estava na sétima série, e descobri a verdadeira paixão da minha vida. Não, não era um garoto, nem era uma coisa. Era uma vontade, vontade de mostrar para o mundo o que se passava na minha cabeça, vontade de expor as minhas duvidas, as minhas críticas. O que é essa vontade? Escrever. Escrever é para mim, senão um hobby, uma necessidade, um desabafo, a minha liberdade. E é para mantê-la que criei este blog. Um lugar onde eu possa mostrar o que se passa na minha cabeçinha.
Me chamam de Larissa, e a partir de hoje, aqui me encontras.